Cartas Eletrônicas![]()
ou Prosa Poética X Conversa Fiada
Maria da Conceição Carneiro de Oliveira (Frô) -
São Paulo ![]()
Cartas eletrônicas são frívolas
No hard disk se perdem
ou se salvas em disquetes
Destruídas são por vírus...
Sinto saudades das cartas de correios...
Aquelas que chegavam com selos,
Data, papel de carta e sorriso do carteiro.
Lembram-me as mensagens de meu amor primeiro,
Implantando o vírus de amor certeiro...
Cartas eletrônicas não tem cheiro
Enviamo-nas para nicks esdrúxulos
Não sabemos sobre seus destinos
Não sabemos ao certo nosso próprio destino
E investimos no cego cyber space...
Sinto saudades dos bilhetes das festas juninas.
Daqueles entregues por moças simpáticas,
Às vezes apáticas, mas que causavam taquicardias
Em minhas mãos frias que as abriam com emoção...
Linhas tortas, às vezes com bonita caligrafia
Isso sempre dependia do empenho do amado
em desenhar sua declaração ou fisionomia....
Em corações vermelhos, decorados...
Cartas eletrônicas me despertam compaixão
Por sua imediatez, às vezes, por sua dureza,
Em poucas linhas em dizer adeus.
Cartas eletrônicas são como bolhas de sabão
Tão efêmeras, embora brilhantes, cintilantes
Se dissolvem na imensidão dos spams...
Sinto saudades dos bilhetes de amor,
Cravados nas cascas de árvores grossas
A canivete ou gilete para serem eternas...
Mesmo com a promessa quimera
De amor para sempre em dias quentes de verão...
Cartas eletrônicas me lembram serpentes
Que destilam seu veneno na Rede
Mensagens agressivas, doídas,
Atirando aos quatro cantos, palavras ferinas
Abrindo feridas no coração da gente...
Sinto saudades de olhar nos olhos
E sentir para que veio, onde esteve
e no seu ombro encontrar o esteio de dor tão profunda...
Virar Blimunda e voar no espaço
Fugir da fogueira e viver festeira
No balão de Gusmão do Saramago....
Percorrer no vento, atrás de alento
Pelos caminhos de São Tiago....