Ligia Terezinha Pezzuto - São Paulo
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Ele me segue nas asas do tempo,
Contornando os acordes do vento.
Planando sobre a cidade,
Observando minha mocidade.
Esperto, de olhos abertos,
Tenaz, não olha pra trás.
Alerta, a me provocar,
Novos vôos irei alçar.
Seu vôo é leve e calmo,
Tal como o entardecer.
Sobre o mar de alvas ondas,
Ele me faz permanecer.
Mas eis que num instante,
Sinto forte o descompasso.
Compreendo de relance,
Algo mais naquele abraço.
Me afastando devagar,
Ele volta a me fitar.
E num jogo sucessivo,
Vem mostrar-se compassivo.
Sigo os vales e campinas,
Vem à tona a realidade.
Subo escarpas e colinas,
Vejo então a mediocridade.
Perspicaz, só quer ser o capataz
Dos meus sonhos, meus encantos,
Meus propósitos sem prantos
Quero vida, quero paz.
Que fazer quando se tem,
Na imagem de um amigo,
Uma trinca, veja bem,
Transformado em inimigo?
(...)
Num rasante vejo o mar.
Na vazante hei de escapar.
Em volteio vou ao norte,
E nas brumas, dou um corte.
Na busca do amanhã,
Livre e sem amarras,
Com coragem e mente sã,
Eu me solto de suas garras.
De pássaro, que falcão
Queria se fazer passar.
Imitando meu vôo,
Querendo me aprisionar.