Publicado na coletânea "Pizza Literária - Quinta Fornada", em novembro de 1998
Roberto Caetano Miraglia - São Paulo
Hoje eu vou dançar
para a tristeza espantar.
Fiz até aquecimento
para não desapontar.
Começo pelo velho mundo,
pois a sabedoria é secular,
quem sabe pela Itália,
onde a TARANTELA nos faz pular.
Viajo em sonho para Portugal,
pro VIRA saltitar,
ou imagino o CAN-CAN da França,
esperando a saia levantar.
E a Alemanha, que alegria!
Tantas canecas a brindar!
Quem sabe numa homenagem à Espanha,
onde as castanholas não param de tocar.
A encantadora dança do Bolshói,
a Rússia fez o mundo admirar;
não mais que a Áustria,
que fez da VALSA um sonho para se dançar.
Vamos, pela nave da imaginação
o Oriente Médio encontrar,
extasiado com a DANÇA DO VENTRE,
que faz a sensualidade aflorar.
E a Ásia, de tanta história e tradição,
apresenta-se com sua dança milenar,
com pequenos pés, passo a passo,
em quimonos coloridos e leques a abanar.
Saltamos toda a imensidão dos oceanos
para a América encontrar,
com tantos ritmos quente,
que ninguém pode reclamar.
Quanto ROCK, TWIST, BLUES,
SOUL MUSIC E JAZZ a tocar!
Homenageando a musicalidade negra,
que faz todo o mundo se encantar.
O que dizer então da SALSA e do MERENGUE,
da RUMBA a contagiar,
do MAMBO e de tantos ritmos caribenhos,
com as maracas a chacoalhar?
E o TANGO argentino,
que Gardel imortalizou ao cantar?
Fez do casal bailarino,
verdadeiros artistas a dançar.
Que beleza extasiante
é a música de todo o lugar!
Aproximando os corações apaixonados
como num BOLERO dançado sob a luz do luar...
De onde estou já escuto FREVO, CARIMBÓ e BAIÃO;
BOSSA NOVA, SERTANEJA e um cavaquinho a CHORAR;
já começa a pulsar mais forte o coração,
sinto algo mágico se aproximar...
Acho que vou parar por aqui,
pois encontrei o meu lugar:
pousei minha nave no Brasil,
porque o que eu quero mesmo é SAMBAR!