Publicado na coletânea "Pizza Literária - Quinta Fornada", em novembro de 1998
Roberto Caetano Miraglia - São Paulo
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Ao clarear o dia, o bonde barulhento chegava ao ponto.
Subiam senhoras e senhores
para o trabalho, para o encontro.
Com seu terno branco do mais puro linho de algodão,
lá ia o elegante Enrico
para sua repartição.
Quando o bonde contornava a Rua das Flores,
o bom moço se aprumava,
pois na janela da casa rosa, estava a doce Dolores.
Aqueles segundos de manobra eram ansiedade e emoção,
porque os olhos verdes da linda jovem
tinham somente Enrico como única direção.
Os longos dias que se passavam
repetiam a mesma cena:
era o contorno do bonde e os olhares que se cruzavam.
Enrico precisaria Ter muita coragem e ousadia
para um dia poder confessar
toda ternura que seu coração já sentia.
Foram muitos ensaios e palavras difíceis de encontrar,
mas tudo valeria a pena
para poder seu amor declarar.
O dia esperado afinal chegou!
Os olhos verdes estavam cheios de luz.
Enrico da janela se aproximou.
Dolores sorria e perguntava quem lá estava.
Enrico, sem compreender,
dizia ser o jovem que ela olhava.
pois desde nascença
nada posso ver".
mas desde o primeiro dia que a vi,
não consigo tirá-la do pensamento...
...e não sei se pode me ver,
mas seus lindos olhos expressam tanta coisa,
que até forças para estar aqui eu consegui Ter."
mas como pode julgar pelo olhar
alguém de quem não conhece o sentimento?"
seu olhar meigo e iluminado
é o espelho de sua alma!"
meu nome é Enrico, e nunca perdi a esperança deste dia chegar!"