Limericks
Os limericks de
MARCOS GIMENES SALUN
XXI
(política)Quem julgar que não é somente mentira
que é inocente quem a primeira pedra atira,
que veja na televisão
os políticos em reunião...
Já notaram como é que cada um se vira?
XXII
(mentiras)Já não me convencem histórias de pescador,
pois é sempre o mesmo fato esclarecedor:
-O maior peixe escapou!
-A vara não aguentou!...
Só não diz quanto pagou pelo peixe do isopor...
XXIII
(semelhanças)O pobre e o rico são bastante semelhantes
e embora o dinheiro os coloque tão distantes,
ambos morrerão um dia
e ficarão sob lápide fria
como se iguais em tudo tivessem sido antes.
XXIV
(formatura)Hoje em dia o estudante deixa a universidade
com um diploma na mão e muita vontade:
almeja ter muito sucesso
mas a economia em recesso
Deixa todo o seu sonho ficar na saudade...
XXV
(descaso)Sei que os políticos têm muito compromisso
Sei que ganham muito dinheiro com isso
Sei que há desempregados
Sei que há desamparados
Não sei se os políticos também sabem disso.
XXVI
(reveillon)Passou bem depressa mais um ano.
Envelheci, quanto a isso não me engano!
Lembrarei das proezas,
mas quanto às tristezas,
Jogarei todas elas debaixo do pano.
XXVII
(vontade)Às vezes concordo com a crítica:
nosso país é uma máquina paralítica!
É que a poucos doutores,
excelentíssimos senhores,
falta sempre a tal vontade política...
XXVIII
(beijos)Viu que um pássaro voava
e de flor em flor flutuava...
Se encantou
mas não atinou
que todas as flores ele beijava.
XXIX
(trânsito)Andava pela rua sem prestar atenção
e em grande velocidade na direção...
Mais adiante bateu
e então entendeu:
A pressa é inimiga da contra-mão!
XXI
(descanso)É curta a semana de um deputado
e por isso ele vive tão atarefado!
Nem bem começa
já para depressa...
Precisa descansar, pobre coitado!
(limericks de edições anteriores)
I(distante)
É bem agora o momento
de falar deste sentimento.
Noite tardia,
numa sala vazia...
Vai bem longe o pensamento.
II(derrota)
Paira um silêncio profundo
mas que acabará num segundo.
Alguma tristeza,
e a Marselhesa...
...Perdemos a Copa do Mundo.
III(cidade)
Não se percebe a solidão
de cada um nessa multidão.
Ruídos, buzinas,
malandros, esquinas...
Grande cidade, de um só coração.
IV (deserto)
Uma flor solitária no deserto
e nada mais vivo por perto.
Vento e areia,
a flor bamboleia...
...E o viço da vida é encoberto.
V(pobre)
Eles são mágicos sem cartola,
jogadores de futebol sem bola...
Falta comida
e sobra vida...
Lhes resta pedir esmola.
VI(sonhador)
Todo dia sonhava acordado
com o fim do trabalho pesado.
Jogava na sena,
mas... que pena...
Dava sempre outro resultado...
VII(descanso)
Deitava numa rede a balançar,
o tempo todo querendo descansar.
Alto sonhava
e logo pensava
em esperar, esperar, esperar...
VIII(ilusão)
Ao pensar que era feliz, entristeceu
e assim, da alegria emudeceu...
Tolo artifício,
vão desperdício...
Quando pensou em viver, morreu...
IX(persistência)
Tropeçou num buraco e caiu,
mas ergueu-se e o caminho seguiu.
Novo tropeço,
mais um recomeço...
...Quanta estrada para trás já sumiu!
X(velhice)
A moça tem olhar penetrante
e cada curva do corpo insinuante.
Um velho aprecia,
olha... não sacia...
...Que saudade de um tempo distante!
XI(engano)
Pensou saber da vida o sentido
e julgou-se um grande entendido.
Analisou, argüiu
e por fim descobriu:
não sabia, mas julgava compreendido.
XII(novela)
A cena, comovente, era tão bela...
Cintilante, iluminada numa tela.
Porém o comercial
colocou ponto final
em mais um episódio da novela.
XIII(felicidade)
Um dia a si mesmo prometeu:
serei feliz, ou não serei mais eu!
...e o tempo passou,
a velhice chegou...
E sempre buscando a si mesmo viveu!
XIV(conspiração)
Tanta gente de cara pintada...
Tingiram a alma ansiosa, agoniada...
Mas algo nos bastidores
fez os pobres torcedores
se pintarem e ansiarem por nada.
XV(timidez)
Cada dia uma coisa pensava
sobre a moça que por ele passava
Ora num elogio
Ora num assobio...
Mas medroso, apenas a olhar ficava.
XVI(cativeiro)
Quando vê que a noite vai chegar
e que tudo escuro vai se tornar
o velho marinheiro
pensa no cativeiro
dos próprios mares com que vai sonhar.
XVII(subjetivo)
Dependendo da forma de se pensar
e do ponto de vista com que se encarar,
o belo parecerá feio
e haverá até receio
de não se saber mais o que admirar.
XVIII(traição)
O destino às vezes parece trair
quem uma meta pretende atingir.
É o caso do pedreiro
que faz um prédio inteiro
e depois, nunca mais nele poderá subir.
XIX(certeza)
Acredito que não é nenhuma novidade
o que acontece depois de certa idade:
a pensamento voa
mas o corpo, já à toa
vai acabando com qualquer vontade.
XX(preguiça)
Que delicadeza daquela donzela!
tão feminina, tão meiga e tão bela...
Mas, embora viçosa
é tão preguiçosa
que passa o dia debruçada na janela!
(próxima atualização prevista para: AGOSTO/99 - Aguarde!)