Os limericks de
WALTER WHITTON HARRIS
A VIAGEM FRUSTRADA
(em ritmo de limerick)
Queríamos fazer uma viagem
Na época em que faz estiagem,
Assim, se não chove
Não há quem desaprove,
Aproveita-se muito bem a paisagem.
Preparamos as malas com afinco,
Todo o roteiro ficara um brinco.
Bilhetes encomendados...
Parentes distantes avisados...
-Não s'esqueçam de fechar a porta com o trinco!
Certo dia fomos fazer uma visita
Numa casa de campo bonita,
A esposa escorregou,
O tornozelo fraturou,
Nos pedriscos da estrada maldita.
A viagem planejada foi suspensa
A reserva de bilhetes se dispensa
Um colega a operou,
Com parafusos ficou,
E o gesso, que raiva, que ofensa!
Alguns meses certamente levou,
E ela quase que se recuperou,
Com dificuldade para andar
Nem pensar em viajar.
Mais uma vez a data se mudou.
Parecia que eu estava invejoso.
Batendo bola num tênis gostoso
O pé no chão travou,
De costas, o corpo voou,
Escorei-me no punho: foi calamitoso!
-Sofri uma fratura! - clamei da desavença.
-Não é possível! - me disseram, com descrença.
E um colega me operou,
O punho, com parafusos ficou,
E o gesso, que raiva, que ofensa!
Cinco meses certamente levei,
Na verdade quase me recuperei.
As malas, carregar
Não há o que falar,
Mas será possível viajar, pensei.
Queríamos fazer uma viagem,
Aproveitando muito bem a paisagem.
Porém, agora só chove
Há quem então desaprove.
Resolvi: Ficará para o ano que vem!
(do discurso de posse na Academia Brasileira de Médicos Escritores - ABRAMES)
Senhoras e Senhores da Academia:
Desejo saudar-lhes com alegria.
Procuro ser breve,
Prometendo coisa leve,
Estou contente cá, em tão nobre companhia.
É-me imérita a honra de aqui estar
Para a cadeira número treze ocupar.
Fato inédito
Nessa vida de médico,
Da qual eu não posso me afastar.
Aloysio de Castro, professor e doutor,
Da Faculdade Nacional de Medicina, foi Diretor.
Ilustre patrono meu,
À Academia enalteceu,
Médico clínico, poeta, músico, prosador.
Por vários membros, São Paulo é representado;
De fazer parte, eu me sinto lisonjeado.
ABRAMES aqui,
SOBRAMES ali,
Espero que serei... pelo menos, tolerado.
Minha obra é frugal e singela,
Tento fazê-la com muita cautela.
Flerts Nebó me ensinou
E para isto me acordou
Para o romance, o conto, a novela.
Este ritmo de Limerick é bem agradável,
Para minha cabeça bastante saudável.
Estrofe burlesco bacana,
Origem anglo-americana,
De possibilidade múltipla, inesgotável.
A minha gratidão aos que me indicaram,
Assim como para todos que me aprovaram.
À Academia Brasileira, Senhores,
De Médicos Escritores,
As minhas Saudações Literárias só, ficaram!
limericks avulsos
I
Chegou um menino em Santos,
Lá foi ele à praia com mais tantos.
Molhou-se no mar,
Salgando o olhar,
E voltou para a areia em prantos.
II
Estamos na SOBRAMES famosa,
Com pizza, cerveja e prosa;
Poemas para cá
E papo pra lá,
E a noite, assim passa, gostosa.
III
Escrevia meu livro, com estilo,
Quando senti-me inspirado. Do Nilo
O personagem me falou:
-Porque não me salvou?
-E eu, boa idéia, o fi-lo.
IV
Queria fazer um bom verso,
Para então concorrer no Congresso,
Meu lápis quebrou,
Minha paciência s'esgotou
E cá estou, sem fazer mui sucesso.
V
Havia um jovem homem que disse:
"Eu sei que eu seu que eu sei".
Convencido se aventurou,
Do viaduto pulou,
Estatelou-se, mas sabia que sabia que sabia!
( próxima atualização prevista para AGOSTO de 1999 - AGUARDE!)